Quanto Dinheiro um Atleta Chileno Precisa Para Acompanhar o Circuito Mundial?
- Ayelet Fuentes Guerra

- há 4 dias
- 3 min de leitura

Competir contra os melhores atletas do planeta, conhecer novas ondas e testar seu nível em cenários de classe mundial é uma experiência que qualquer esportista gostaria de viver. No entanto, por trás de cada competição existe uma realidade que raramente é mostrada: o alto custo financeiro de acompanhar o circuito internacional.
A temporada 2026 do IBC World Tour leva os atletas a destinos tão diversos quanto Marrocos, Antofagasta, Brasil, México, Maldivas, Portugal e Ilhas Canárias. Cada etapa representa uma oportunidade de somar pontos e ganhar experiência, mas também um importante desafio financeiro para os atletas sul-americanos.

Uma das etapas mais exigentes em termos econômicos foi Marrocos. A distância entre o Chile e o norte da África exige longas viagens com múltiplas conexões, aumentando significativamente o custo das passagens aéreas. Somando hospedagem, alimentação, transporte e inscrição, o orçamento para competir pode variar entre 2,5 e 3,5 milhões de pesos chilenos.
No extremo oposto está Antofagasta. Para os atletas chilenos, competir em uma etapa do Circuito Mundial dentro do próprio país representa uma grande vantagem, eliminando voos internacionais e reduzindo significativamente os gastos com deslocamento. Dependendo da cidade de origem e do tempo de permanência, participar desta etapa pode custar entre 300 mil e 700 mil pesos chilenos, tornando-se uma das mais acessíveis do calendário.

Tomando como exemplo o recente Itacoatiara Pro, no Brasil, somente a passagem aérea pode custar cerca de 500 mil pesos chilenos, enquanto uma semana de hospedagem próxima à praia pode chegar a aproximadamente 400 mil pesos chilenos. A alimentação diária pode variar entre 10 mil e 20 mil pesos chilenos por refeição, além de uma taxa de inscrição próxima de US$ 280.
Embora o custo final possa ultrapassar facilmente um milhão de pesos chilenos, o Brasil continua sendo uma das opções mais acessíveis do calendário mundial. A proximidade geográfica, a possibilidade de se hospedar próximo ao local da competição e os custos relativamente baixos de transporte ajudam a reduzir o orçamento total.

No entanto, o cenário muda consideravelmente nas próximas etapas do Tour. O México, por exemplo, costuma representar um investimento um pouco maior devido ao aumento do valor das passagens aéreas, embora continue sendo uma opção relativamente acessível para os atletas latino-americanos.
Ainda mais desafiadora é a nova etapa nas Maldivas. Considerado um dos destinos mais paradisíacos do mundo para a prática do surfe e do bodyboard, esse destino exige longas conexões aéreas, custos mais elevados de hospedagem e despesas adicionais relacionadas ao transporte entre ilhas. Em comparação com o Brasil, o orçamento pode dobrar e até se aproximar dos 3 milhões de pesos chilenos, dependendo do planejamento da viagem.

Portugal e as Ilhas Canárias também não ficam para trás. Ambos os destinos são reconhecidos por abrigar algumas das ondas mais importantes do bodyboard mundial e representam uma oportunidade única para competir no mais alto nível. No entanto, a distância entre o Chile e a Europa, somada aos custos de passagens, hospedagem e alimentação, transforma essas etapas em um desafio financeiro para muitos atletas sul-americanos.

Por esse motivo, acompanhar todo o Circuito Mundial está longe de ser uma tarefa simples. Além da preparação física e técnica, os atletas precisam planejar cuidadosamente cada viagem, buscar patrocinadores e administrar seus recursos para decidir quais etapas disputar ao longo da temporada.

No fim das contas, competir no circuito mundial exige mais do que talento dentro d'água. Também requer um investimento significativo de tempo, esforço e dinheiro. Para muitos atletas chilenos, o desafio de alcançar a elite mundial começa muito antes de entrar no mar: começa encontrando uma maneira de chegar à próxima competição.





Comentários