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Nazaré: o Monstro das Ondas Gigantes

Kai Lenny surfa ondas gigantes em Nazaré, Portugal, 2020 - Mattias Hammar / Red Bull Content Pool
Kai Lenny surfa ondas gigantes em Nazaré, Portugal, 2020 - Mattias Hammar / Red Bull Content Pool

Na costa de Portugal existe a Praia do Norte, um lugar onde o mar parece perder toda a lógica. A cada inverno europeu, surfistas de diferentes partes do mundo chegam para desafiar montanhas de água que podem ultrapassar os 20 metros de altura, enquanto centenas de espectadores observam tudo do famoso farol da cidade.


Durante anos, Nazaré passou relativamente despercebida dentro do mundo do surfe, até que em 2011 o norte-americano Garrett McNamara surfou uma onda estimada em 23,8 metros. Aquela sessão percorreu o planeta; as imagens de Nazaré ganharam o mundo através de documentários, transmissões e redes sociais, transformando a pequena vila portuguesa em um fenômeno global.


Garrett McNamara realiza uma manobra durante uma sessão de surfe de ondas grandes na Nazaré, Portugal, 2014 - Jeff Flindt / Red Bull Content Pool
Garrett McNamara realiza uma manobra durante uma sessão de surfe de ondas grandes na Nazaré, Portugal, 2014 - Jeff Flindt / Red Bull Content Pool

Todo inverno, milhares de pessoas chegam ao farol do Forte de São Miguel Arcanjo para observar as ondas explodindo diante das falésias portuguesas. Esse fenômeno acontece graças ao Canhão da Nazaré, uma gigantesca formação submarina com aproximadamente 230 quilômetros de extensão e até 5 mil metros de profundidade.


Esse canhão atua como um amplificador natural, concentrando a energia das ondulações vindas do Atlântico e transformando-as em ondas gigantes quando as condições de swell, vento e maré coincidem de forma perfeita.


Vista geral das ondas quebrando na Praia do Norte, com o farol em primeiro plano, em Nazaré, Portugal, 2023 – Ricardo Bravo / Red Bull Content Pool
Vista geral das ondas quebrando na Praia do Norte, com o farol em primeiro plano, em Nazaré, Portugal, 2023 – Ricardo Bravo / Red Bull Content Pool

Desde então, diferentes riders começaram a viajar para Nazaré a cada temporada em busca das maiores ondas de suas vidas. O brasileiro Rodrigo Koxa quebrou o recorde em 2017 ao surfar uma onda próxima dos 24,4 metros, até que o alemão Sebastian Steudtner alcançou uma onda estimada em mais de 26 metros em 2020, considerada uma das maiores já registradas na história do surfe.


Mas por trás das imagens épicas existe um nível extremo de risco; os atletas treinam fisicamente durante anos e trabalham ao lado de equipes especializadas de resgate para entrar e sair rapidamente das ondas. Muitos também utilizam coletes infláveis de segurança, já que uma queda pode terminar em violentos caldos sob toneladas de água e correntes capazes de manter um surfista submerso por vários segundos.


Espectadores tiram fotos da onda gigante formada na Nazaré, Portugal, 2014 - Jeff Flindt / Red Bull Content Pool
Espectadores tiram fotos da onda gigante formada na Nazaré, Portugal, 2014 - Jeff Flindt / Red Bull Content Pool

Mesmo assim, isso não impede que ano após ano os riders cheguem ao pico português para enfrentar o monstro de Nazaré, onde qualquer erro pode trazer consequências graves. Por essa razão, a Praia do Norte se tornou um cenário onde o medo e a adrenalina convivem constantemente, lembrando ao planeta que ainda existem ondas capazes de parecer irreais e surfistas dispostos a desafiar os limites físicos e mentais do esporte.


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