A Origem do Shaping: Das Pranchas de 40 Quilos até Hollywood
- Ayelet Fuentes Guerra

- 21 de mai.
- 3 min de leitura

Quando pensamos em surfe, normalmente imaginamos ondas gigantes, manobras e atletas desafiando o oceano. Mas por trás de muitas das pranchas mais icônicas da história existe uma figura fundamental dentro da cultura do surfe: o shaper.
E embora hoje o shaping seja considerado uma verdadeira arte, houve uma época em que as pranchas eram enormes blocos de madeira maciça que podiam facilmente ultrapassar os 40 quilos.
O Início do Shaping Moderno
Durante décadas, as primeiras pranchas utilizadas no Havaí eram extremamente pesadas e difíceis de manobrar. Surfar exigia força, resistência e muito controle. No entanto, tudo começou a mudar na década de 1920 graças a Tom Blake, considerado um dos grandes revolucionários da história do shaping.

Blake começou a experimentar as tradicionais pranchas havaianas em busca de designs mais leves e funcionais. Seu objetivo era melhorar a experiência dentro da água e facilitar a manobrabilidade nas ondas, mudando para sempre a história do surfe.
Uma de suas invenções mais importantes foi a “hollow board”, uma prancha oca inspirada em estruturas náuticas que permitia reduzir consideravelmente o peso. A diferença era enorme para a época, oferecendo mais velocidade, manobrabilidade e uma experiência muito mais dinâmica no mar.
Além disso, Blake também foi um dos primeiros a incorporar uma quilha fixa às pranchas de surfe, uma inovação que revolucionou completamente o comportamento das pranchas sobre as ondas.

À medida que o surfe evoluiu, os designs também evoluíram, e os shapers começaram a desenvolver pranchas específicas para diferentes estilos e condições:
● Longboards: pranchas longas e clássicas associadas a um surfe mais fluido e tradicional
● Shortboards: pranchas menores e mais manobráveis pensadas para um surfe mais radical
● Fish: designs mais largos e rápidos ideais para determinadas condições de ondas
● Guns: pranchas criadas especialmente para surfar ondas gigantes
● Pranchas de bodyboard: desenvolvidas especificamente para manobras mais próximas da onda e condições extremas
Verdadeiras Lendas
Por trás de muitas das ondas mais icônicas da história sempre existiu alguém desenhando a prancha perfeita, e nomes como Al Merrick se destacam. Fundador da Channel Islands Surfboards, ele criou algumas das pranchas mais influentes do surfe moderno

Seus designs foram fundamentais na carreira de Kelly Slater e ajudaram a definir o high performance surfing.
O mesmo vale para Donald Takayama, considerado uma lenda absoluta do longboard e uma das figuras mais respeitadas da cultura clássica do surfe, ou Matt Biolos, reconhecido por impulsionar designs modernos e pranchas voltadas ao surfe progressivo e de alta performance.

De Shaper a Hollywood
Um dos casos mais curiosos da atualidade é o de Taz Skylar, conhecido mundialmente por interpretar Sanji na adaptação live action de One Piece.
Muito antes de chegar a Hollywood, Skylar aprendeu shaping assistindo vídeos no YouTube e chegou a trabalhar com a Pukas Surf, uma das fábricas de pranchas mais reconhecidas da Europa. Lá, aprofundou seus conhecimentos sobre design, construção e cultura do surfe, desenvolvendo uma forte conexão com o oceano e o trabalho artesanal por trás de cada prancha.

Durante esse período, teve a oportunidade de conviver e aprender com importantes nomes do shaping profissional, como Matt Biolos e Timmy Paterson. Suas pranchas também foram utilizadas por surfistas profissionais como Jonathan González e Natxo González, além de riders do circuito mundial como CJ Hobgood e Aritz Aranburu.

O Shaping Transcende
Por trás de cada longboard clássico, cada gun para ondas gigantes ou cada prancha de alta performance, continua existindo o trabalho artesanal de um shaper responsável por desenvolver pranchas de acordo com o tipo de onda, o nível do surfista, as condições do mar e o estilo de surfe desejado.

O tamanho, a espessura, a curvatura, o formato e os materiais utilizados são extremamente importantes. Por isso, dentro da cultura do surfe, muitos shapers são considerados verdadeiros artesãos e, embora muitas vezes permaneçam longe das câmeras, seu trabalho continua sendo uma peça fundamental na evolução do esporte.





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